Archive for Junho, 2008
A Hora Íntima
Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal…
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto…
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo…
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançara um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada…
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Vinicius de Moraes
Add comment Junho 30, 2008
Escuridão (vai por mim)
Não estou com grande disposição
p’ra outra enorme discussão
tu dizes que agora é de vez
fico a pensar nos porquês
nós ambos temos opiniões
fraquezas nos corações
as lágrimas cheias de sal
não lavam o nosso mal
e eu só quero ver-te rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torces o nariz e lá se vai o sol
dizes vermelho, respondo azul
se vou para norte, vais para sul
mas tenho de te convencer
que, às vezes, também posso…
ter razão!
também mereço ter razão
vai por mim
sou capaz de te mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão
Se eu telefono, estás a falar
ou pensas que é p’ra resmungar
mas quando queres saber de mim
transformas-te em querubim
quero ir para a cama e tu queres sair
se quero beijos, queres dormir
se te apetece conversar
estou numa de meditar
e tu só queres ver-me rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torço o meu nariz e lá se vai o sol
dizes que sou chato e rezingão
se digo sim, tu dizes não
como é que te vou convencer
que, às vezes, também podes…
(Escuridão)
ter razão!
também mereces ter razão
vai por mim
és capaz de me mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão
Atenção!
os dois podemos ter razão
vai por mim
há momentos em que se faz luz
e depois regressamos os dois
à escuridão
Add comment Junho 30, 2008
O POETA E A LUA
Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flancoEriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entre abre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua…
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
Vinicius de Moraes
Add comment Junho 30, 2008
Vivendo do passado
sempre queremos voltar no tempo, pois pensamos que era um tempo bom.
Quando esse tempo foi vivido, diziamos que era ruim, mas como agora dizemos que o presente é ruim, o passado acaba sendo bom.
E os momentos que realmente foram bons, no passado sao melhores ainda.
O ser vive do passado para nao viver no presente com medo do futurro.
tacy
29 de abril
Add comment Junho 30, 2008
A insustentavel leveza do ser – livro e filme
Sobre o livro e filme A insustentável leveza do ser. Bem sei que livro e filme são duas coisas diferentes, e até podem ser comparadas, mas não é o mais indicado, pois nunca passarão à mesma idéia. Se fizermos uma comparação entre o livro e o filme, uns irão dizer que um é melhor ou o outro. Mas eu vou entrar nessa onda e vou defender o livro – claro sem humilhar o filme, pois também é muito bom – No livro Kundera fala sobre o eterno retorno, peso e leveza. Depois Kundera fala de tomas, que esta em pé diante a janela… E assim começa a narrar à história. Acho que não teria outra maneira de começar este livro.
No filme Tomas aparece no hospital, mostra-se de maneira um pouco vaga o seu lado leve em relação as amantes e o seu “não amor”. Quando Tomas vai a Boemia a trabalho, Tomas vê Tereza na piscina e a segue até o bar no hotel onde ela trabalha e ele está hospedado, lá a história deles começa. Tereza vê Tomas que tem um livro nas mãos, ela tem um livro no balcão. Tereza fita-o e tem vontade de saber o que ele lê. O radio está ligado tocando Beethovem, Tomas pede um conhaque, e pede para que Tereza acrescente na conta do quarto, Tereza acha engraçado o fato de ele estar no quarto 6 e ela sair do trabalho às 6 horas. Quando Tereza vai ao encontro de Tomas que está sentado no banco onde ela costuma ler, ela tem um livro nas mãos Ana Karenina de Tosltói, eles conversam um pouco e ele vai embora. No livro esse encontro acontece de maneira um pouco diferente. Tomas não vê Tereza na piscina, somente no bar. Achei bem interessante o acréscimo desta cena. Mas como eu adoro botar defeito nas gravações fiquei me perguntando da onde Tomas tirou o livro? Surgiu do nada? Nada a ver eu gosto de achar erros nos detalhes, mas o livro não tava lá.
No livro Tereza pensa no n°6 ao ver a chave do quarto de Tomas, pois quando morava com seu pai antes dele ser preso, o n° de seu quarto era o n°6; mas ela não diz isso a Tomas, ela diz que sai do trabalho às 6 horas. No filme ela só diz que sairá do trabalho as 6 horas.
No livro Tomas dá a Tereza na estação de trem um cartão de visitas. Já no filme fica muito vago este encontro, não sabemos como Tereza chegou até a casa de Tomas, sendo que eles trocaram meia dúzia de palavras.
Acho que o filme poderia mostrar o lado do relacionamento de Tereza com sua mãe, pois afinal, este relacionamento ajuda Tereza a deixar a Boemia rumo ao incerto. Bem no filme Tereza vai até a casa de Sabina com Tomas para aprender sobre fotografias. No livro esse encontro se dá em um café.
No livro quando Tereza vai até o ateliê de Sabina, para fotografá-la, isto se passa em Praga, no filme em Genebra – ou Zurique, esta parte ficou um pouco confusa para mim – e Franz está lá, no livro Sabina ainda nem o havia conhecido.
O filme se quer fala da Existência do filho de Tomas, que no livro, não deixa de ser um personagem importante.
Acho que o filme poderia ter mostrado mais Sabina depois que deixou Genebra. E mostrar seu gosto por cemitérios. Eu gostei dessa parte no livro. Na verdade não tem muita coisa que eu não tenha gostado, se é que tem alguma coisa que eu não tenha gostado.
O que me chamou muito a atenção no filme foi à morte de Tomas e Tereza.
No filme esta morte pode ser compreendida mais facilmente, no livro eu fico em duvida. Não fosse a parte em que Kundera diz que Tomas só se livrou do ciúmes de Tereza um ou dois anos antes de morrer, eu acharia que o telegrama que o filho de Tomas recebe comunicando a morte de Tomas e Tereza, foi forjado pelo próprio Tomas para que seu filho comunicasse a Sabina do acontecido e assim romper de vez com o passado.
No livro Sabina ao saber desta morte trágica, escreveu em seu testamento que queria ser cremada, pois não suportaria ser enterrada entre paredes de concreto. Se Tomas e Sabina tinham morrido sob o signo do peso ela morreria sob o signo da leveza, suas cinzas seriam jogadas ao vento. Como diria Parmênides é a transformação do negativo em positivo.
Bem eu não acho que o leve seja o positivo.
Se Tereza é o peso e Sabina a leveza. Por que Tereza morreu feliz, e por que Sabina acabou indo parar sozinha na América indo cada vez para mais longe de seu país?
Bem devorei o livro e já sabia que quando visse o filme iria gostar mais do livro. Foi o que aconteceu. Adorei o filme, acho que no filme a invasão fica muito mais detalhada pelas imagens, a sensualidade entre Tomas e Sabina fica ainda mais excitante. Fazer um filme com base num livro, não quer dizer que o filme vá ser igual ao livro. Mas que vai ter um mesmo enredo, que poderá ter algumas mudanças. Aponto estas diferenças, pois imaginava que o filme fosse mais fiel ao livro. Prefiro o livro, pois nele encontro mais detalhes, e opiniões do autor/narrador sobre seus personagens, além de algumas particularidades do próprio. Juntando isto a minha imaginação, mesmo tendo adorado o filme, não posso trocar o livro pelo filme.
Agora posto um trecho do livro:
Eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma quantidade inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).
Vai dize que não dá vontade de ler e não parar mais?
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Add comment Junho 30, 2008
RPG
RPG
se antes os pais tinham que se preocupar que seus filhos estavam com vicios como cigarro, maconha, pó, crack,alcool agora eles tem mais um motivo pra se preocupar. O rpg. Um como um jogo tão legal pode ser preocupante? Ora, pense! Quantas crianças estão ficando viciadas nisso? Crianças que deixam de estudar, dão mais importancia ao jogo do que para sua vida, seus estudos, deixam de brincar pra fica jogando.
O rpg é muito bom, quem não gosta dele? Só quem não conhece, mas ta demais isso.
Meu visinho de 10 anos não sai do cyber. Já roubou 50 reais do avô para jogar no cyber. Meu irmão antes ia no cyber, agora temos internet em casa. Ele passa o dia inteiro jogando se deixarem. Não estuda, come mal, quando come é na frente do computador. Dá mais importancia pro jgo do que para sua vida de verdade.
Os pais pecisam ficar atentos com isso. Precisam colocar limites em seus filhos. Não proibir, afinal é um jogo ótimo, e todos têm o direito de joga-lo, Proibir seria pior, causaria revolta e brigas na familia. Um piscologo quando o caso é muito grave vai muito bem.
Os viciadinhos(as) em rpg que me desculpem. Eu parei de joga quando vi que tava demais. Orkut e msn, também são preocupantes. Nesses eu ja to viciada e tenho que me cuida com isso, a diferença entre eu e meu irmão é que eu sei o mal que isso pode me causar e ele não. Ele só quer jogar,jogar,jogar…
Add comment Junho 30, 2008
A indiferença é pior do que dizer que me odeia
A indiferença é pior do que dizer que me odeia
doeria menos. será mesmo?
outro dia eu escrevi
nao peço que fale comigo
apenas que fique bem…
e agora reclamo de sua indiferença
:p eu so mesmo muito confusa.
para com isso tacy, acorda
como diria o andré
aloouuuuu tem alguem em casa??????
ou saiu e dexo a porta aberta??????
26 de abril
Add comment Junho 30, 2008
Poema de Nietzsche
Tu,que com o fogo da tua lança
Divides o gelo de minha alma,
Fazendo-a buscar o mar, sem calma,
Em busca da sua maior esperança :
Sempre mais clara, e mais saudavel,
Liberta no dever mais amavel
Ela preza e teu mulagre,
Mais belo entre todos os janeiros!
NietzscheNietzsche fez este poema para homenagear
o janeiro de um ano que eu não sei qual é.
Add comment Junho 30, 2008
Assim falou Zaratustra
“Um dia,estava Zaratustra a dormitar sob uma figueira,porque fazia calor e tinha tapado o rosto com o braço.Nisto chegou uma víbora,mordeu-lhe o pescoço e ele soltou um grito de dor.Afastando o braço do rosto,olhou a serpente e ela reconheceu os olhos de Zaratustra,contorceu-se vagarosamente e quis se retirar. “Não – disse Zaratustra – espera,ainda não te agradeci!Despertaste-me a tempo,pois o meu caminho ainda é longo”.
“O teu caminho teu caminho é curto”,disse tristemente a víbora : – o meu veneno mata.Zaratustra pôs-se a rir.”Quando foi que o veneno de uma serpente matou um dragão?”.E ele ainda disse : “Reabsorve o teu veneno!Não és rica demais pra me fazeres presente dele”.Então,a víbora tornou a enlaçar-lhe o pescoço e lambeu a ferida.”
(assim falou Zaratustra)
Add comment Junho 30, 2008
Franz Kafka
É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós.
Franz Kafka
Add comment Junho 30, 2008
