A insustentavel leveza do ser – livro e filme

junho 30, 2008 at 2:53 am Deixe um comentário

Sobre o livro e filme A insustentável leveza do ser. Bem sei que livro e filme são duas coisas diferentes, e até podem ser comparadas, mas não é o mais indicado, pois nunca passarão à mesma idéia. Se fizermos uma comparação entre o livro e o filme, uns irão dizer que um é melhor ou o outro. Mas eu vou entrar nessa onda e vou defender o livro – claro sem humilhar o filme, pois também é muito bom – No livro Kundera fala sobre o eterno retorno, peso e leveza. Depois Kundera fala de tomas, que esta em pé diante a janela… E assim começa a narrar à história. Acho que não teria outra maneira de começar este livro.

No filme Tomas aparece no hospital, mostra-se de maneira um pouco vaga o seu lado leve em relação as amantes e o seu “não amor”. Quando Tomas vai a Boemia a trabalho, Tomas vê Tereza na piscina e a segue até o bar no hotel onde ela trabalha e ele está hospedado, lá a história deles começa. Tereza vê Tomas que tem um livro nas mãos, ela tem um livro no balcão. Tereza fita-o e tem vontade de saber o que ele lê. O radio está ligado tocando Beethovem, Tomas pede um conhaque, e pede para que Tereza acrescente na conta do quarto, Tereza acha engraçado o fato de ele estar no quarto 6 e ela sair do trabalho às 6 horas. Quando Tereza vai ao encontro de Tomas que está sentado no banco onde ela costuma ler, ela tem um livro nas mãos Ana Karenina de Tosltói, eles conversam um pouco e ele vai embora. No livro esse encontro acontece de maneira um pouco diferente. Tomas não vê Tereza na piscina, somente no bar. Achei bem interessante o acréscimo desta cena. Mas como eu adoro botar defeito nas gravações fiquei me perguntando da onde Tomas tirou o livro? Surgiu do nada? Nada a ver eu gosto de achar erros nos detalhes, mas o livro não tava lá.
No livro Tereza pensa no n°6 ao ver a chave do quarto de Tomas, pois quando morava com seu pai antes dele ser preso, o n° de seu quarto era o n°6; mas ela não diz isso a Tomas, ela diz que sai do trabalho às 6 horas. No filme ela só diz que sairá do trabalho as 6 horas.
No livro Tomas dá a Tereza na estação de trem um cartão de visitas. Já no filme fica muito vago este encontro, não sabemos como Tereza chegou até a casa de Tomas, sendo que eles trocaram meia dúzia de palavras.

Acho que o filme poderia mostrar o lado do relacionamento de Tereza com sua mãe, pois afinal, este relacionamento ajuda Tereza a deixar a Boemia rumo ao incerto. Bem no filme Tereza vai até a casa de Sabina com Tomas para aprender sobre fotografias. No livro esse encontro se dá em um café.
No livro quando Tereza vai até o ateliê de Sabina, para fotografá-la, isto se passa em Praga, no filme em Genebra – ou Zurique, esta parte ficou um pouco confusa para mim – e Franz está lá, no livro Sabina ainda nem o havia conhecido.
O filme se quer fala da Existência do filho de Tomas, que no livro, não deixa de ser um personagem importante.

Acho que o filme poderia ter mostrado mais Sabina depois que deixou Genebra. E mostrar seu gosto por cemitérios. Eu gostei dessa parte no livro. Na verdade não tem muita coisa que eu não tenha gostado, se é que tem alguma coisa que eu não tenha gostado.

O que me chamou muito a atenção no filme foi à morte de Tomas e Tereza.
No filme esta morte pode ser compreendida mais facilmente, no livro eu fico em duvida. Não fosse a parte em que Kundera diz que Tomas só se livrou do ciúmes de Tereza um ou dois anos antes de morrer, eu acharia que o telegrama que o filho de Tomas recebe comunicando a morte de Tomas e Tereza, foi forjado pelo próprio Tomas para que seu filho comunicasse a Sabina do acontecido e assim romper de vez com o passado.

No livro Sabina ao saber desta morte trágica, escreveu em seu testamento que queria ser cremada, pois não suportaria ser enterrada entre paredes de concreto. Se Tomas e Sabina tinham morrido sob o signo do peso ela morreria sob o signo da leveza, suas cinzas seriam jogadas ao vento. Como diria Parmênides é a transformação do negativo em positivo.

Bem eu não acho que o leve seja o positivo.
Se Tereza é o peso e Sabina a leveza. Por que Tereza morreu feliz, e por que Sabina acabou indo parar sozinha na América indo cada vez para mais longe de seu país?

Bem devorei o livro e já sabia que quando visse o filme iria gostar mais do livro. Foi o que aconteceu. Adorei o filme, acho que no filme a invasão fica muito mais detalhada pelas imagens, a sensualidade entre Tomas e Sabina fica ainda mais excitante. Fazer um filme com base num livro, não quer dizer que o filme vá ser igual ao livro. Mas que vai ter um mesmo enredo, que poderá ter algumas mudanças. Aponto estas diferenças, pois imaginava que o filme fosse mais fiel ao livro. Prefiro o livro, pois nele encontro mais detalhes, e opiniões do autor/narrador sobre seus personagens, além de algumas particularidades do próprio. Juntando isto a minha imaginação, mesmo tendo adorado o filme, não posso trocar o livro pelo filme.

Agora posto um trecho do livro:

Eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma quantidade inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).

Vai dize que não dá vontade de ler e não parar mais?

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

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RPG Vivendo do passado

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